BURNOUT E OS QUATRO DIAS DA SEMANA

         


            Recentemente tive um pico de estresse, devido a demanda do trabalho. Isso me fez pensar que em nossos tempos, tudo é devidamente classificado. Logo pensei “fui acometida pela síndrome de Burnout”. Mas se é síndrome, posso ter tido apenas um episódio?


Bem, com as devidas licenças dos especialistas, sim, entendo que tive um acesso pontual da síndrome, devido aos sintomas serem os mesmos: exaustão emocional, sensação de que não vai dar conta, sentir a pressão “no pescoço” e ter a nítida impressão de que está enxugando gelo, ou seja, a incapacidade de ver a realização profissional acontecer.


        Cada vez mais profissionais são acometidos por essa síndrome, principalmente aqueles cujo trabalho exige um relacionamento inter-pessoal intenso e direto, como professores (pasmem!), policiais, bombeiros, agentes da área da saúde, mulheres com dupla jornada e etc.

   

        Só nessa descrição, já me enquadro em dois, haja vista que sou professora e mãe. Por isso, talvez, recebemos o adjetivo já caracterizado de codinome “guerreiras”. Toda mulher, mãe, trabalhadora é uma guerreira. Mas penso também em profissões outras que, por sua natureza, já traz toda essa tensão, como os nossos policiais que vivem com os nervos à flor da pele seja por abusos psicológicos institucionais ou pelos perigos próprios dessa atividade.

   

        Podemos perceber como nossa sociedade anda doente física e emocionalmente, já que esgotamentos mentais refletem diretamente em nosso sistema imunológico, abrindo portas para as mais diversas doenças.


    De tudo isso, fica a pergunta, estamos construindo qual futuro para nós e nossos jovens? E o que ficou de lição depois de passarmos por uma pandemia que nos obrigou a parar? Será que não aprendemos nada com isso?


    Como chegar num denominador comum em busca de uma vida de qualidade, onde possamos viver com inteireza, íntegros de nós mesmo, com tempo para se dedicar mais à família, aos cuidados consigo mesmo, com lazer e estudos?


    Oportunamente, vejo nas mídias vários debates sobre um projeto de se implantar uma semana útil de quatro dias. Um dia a mais para se dedicar ao seu lar, aos seus filhos ou pais, a si mesmo, ir ao médico, consertar o carro, enfim, colocar ordem na vida, tirando-nos da correria e dando-nos oportunidade de colocar nossa vida nos eixos, trazendo a qualidade perdida.


    A pandemia ensinou: fomos obrigados a parar e rever nossa vida, passar a limpo nossa rotina. Porém, tudo voltou a ser como era antes, até pior em alguns setores. O ser humano merece ser feliz.


        Entendo que trabalhar remunerado quatro dias na semana, tendo uma folga também remunerada a mais, seja na própria segunda, ou no meio da semana, ou na sexta, traria mais saúde mental à sociedade de um modo geral.


    É alentador que esse diálogo existe e que algumas profissões conseguem driblar esse antigo sistema arcaico de trabalhar cinco dias seguidos, todavia, é igualmente desalentador pensar que esse mesmo diálogo esbarra no conservadorismo capitalista de quem está no topo da sociedade e não faz questão de pensar humanamente essas questões.

Cabe a nós nos posicionar. Você já pensou sobre isso?


REVISTA AUTORRETRATOS - ÓRION - JULHO/ 2023

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